24 de setembro de 2013

Sem licença

Seja meu bandido,
roube meu coração
e leve contigo.
Faz assim,
guarde-o
em sua casa
e tente não vender,
não é muita coisa,
mas só assim
que
eu ficarei perto
de
você.
Pule em meu muro,
mas cuidado!
Lá tem cacos de entulho,
então pule com calma,
e faça a desatenção de insulto.
Ande em meu quintal
e não ligue para
meu cachorro,
ele é dócil meu amor,
e também é cego de um olho.
Entre pelos fundos
e não esqueça
de pegar aquelas escadas,
coloque-as na direção
de minhas janelas,
e suba
na direção dela.
Minha janela estará aberta,
e se por acaso
não estiver,
utilize das forças
que quebraste meu coração
e quebre-as também.
Entre em meu quarto
e não me acorde,
só me olhe...
Tire minhas cobertas
e me deseje como uma fera.
Passe sua mão
em mim
e
faça que seus dedos
sirvam
como uma tampa em meu corpo.
Entrando em todos meus buracos,
tampando todo o meu desgosto.
Me chupe
como
quiser,
me chupe
como
um pedaço de picolé.
Lambe-me e tire o meu desgosto
com sua saliva fria,
de vida imunda,
que
esquenta as minhas partes
como a panela quente
em cima da pia crua.
Aproveite de mim
enquanto há tempo,
faça de meu corpo
uma válvula de escape
para o seu momento,
pise em minha bunda
como se fosse
a calçada
de sua rua,
e depois
faça-me
andar sem os pés no chão...
Pegue-me pelos cabelos
e não ligue
para meu zelo.
Me leve
pra fora daqui.
Me sequestre,
sem licença,
e
me traga pra ti.



__Jess


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