2 de outubro de 2013

Pelas bandas de São Carlos, sobre minha vida campestre...




Pelas bandas de São Carlos
eu conheci o Benedito.
Benedito era um amigo belo,
era um amigo belo o Benedito.

Pelas bandas de São Carlos
eu conheci o tio Firmino .
Tio Firmino era muito fino,
era muito fino o tio Firmino.

Pelas bandas de São Carlos
eu conheci o tio Tião.
O tio Tião que plantava milho do bom,
plantava milho do bom, o tio Tião.

Pelas bandas de São Carlos
eu conheci o Zé do burro.
O burro de Zé era bom,
o bom do burro, de Zé, era burro.

Pelas bandas de São Carlos
eu vivi o dia mais feliz de minha vida.
Acordei cedo para trabalhar no campo,
e vi lá, o deus da comida.

Pelas bandas de São Carlos
eu conheci uma terra boa.
Era grande para acampar,
mas precária para plantar,
pois lá, a água sempre tende a faltar.

Pelas bandas de São Carlos
a chuva foge da terra,
a terra foge do sol,
e o sol foge todo dia depois das 18:00

Pelas bandas de São Carlos
eu conheci o sofrimento,
aquele era o meu destino,
e viver causava-me um grande arrependimento.


Quarta-feira


Acordei numa quarta-feira de chuva
E vi a água tomando conta de minha rua 
Não tinha sol
Só tinha h2o
Não tinha o que eu queria ter 
Mas tinha uma quarta-feira só

Eu bocejei e despertei de mim
Procurando assim, o que fazer por aqui
Eu levantei e procurei...
E percebi que essa solidão já virou uma espécie de lei

Então eu fui pra lá, fui pra lá...
Lá para cozinha passear
Abrir a geladeira e peguei um leite 
E fiz um doce para me deixar contente 

Sem sol 
Muita chuva
A cada vez que o frio aqui bate 
A solidão vem e me machuca.

Pelo menos agora,
eu tenho um doce para me satisfazer.
Mas infelizmente,
ele me faz lembrar do doce.

1 de outubro de 2013

SOBRE OS DESEJOS E ANSEIOS DAQUELA MENINA


- Sua maior excitação era sugar de imediato todos os pecados dos corpos de seus amigos. Assim explorando-os num coito sujo e vagabundo sem pudor algum.

O que era um mero dia do sexo para aquela menina.
Definitivamente, isso não era nada.
De dia ela banhava-se,
de tarde ela procurava-me
e de noite ela amava-se...
(nunca sozinha)

Era prepotente e ardente,
não parava ao menos
de dois orgasmos 
descentes.

- Eu era assim? Eu era e ainda sou. Afinal, eu sou sedosa, gulosa e abundante. Sento gostoso como uma galopada iniciante.

Eu sou assim,
seca como o canto de uma parede 
que deságua em falta de água.
Eu sou assim,
às vezes úmida como um pão com fungo,
tipo um casu marzu.
Eu sou assim,
faço-me de santa na rua
e enlouqueço-me como uma
puta na sua
(vara, tara)
Eu sou assim,
não me prendo quando estou em chama,
quando minha pele se clama,
já convido-(o).(a) para cama.
Eu sou assim,
não me aquieto na lama da vida
e me enobreço no apego da ferida,
ferida aberta por um pinto erguido,
ferida aberta quando meu cu é bem fudido.
Enfim, eu sou assim,
despojada e sem complexos...
Meu único complexo é não dar-se,
assim, não desfilando-me 
nos corpos em abate.
Se a pele me chama eu dou.
Ontem mesmo a pele me chamou
e depois de três horas seguidas
o menino gozou.
Ah! Como ele gozou....
Se não tirasse a cara cegava-me um olho, 
diante a jorrada de seu leite dorso.
Pois bem, se a pele me clamou eu sou,
sou tudo que eu quiser que seja,
menos uma menina com pudor.

Não sou idosa, muito menos senhora.
Sou formosa e tão pouco bondosa.
Não sou menina, porém não muito novinha,
eu sou uma vadia que
adora sentir-se numa tora.
Meu pudor foi banido
desde quando eu sentir-me no pau amigo.
Ai, foi tão bom...
Ter me sentido como “eu” no outro
foi magnífico!
E sem relutar eu cavalguei,
sem relutar eu me guiei em seu corpo
pomposo e formoso que me destes prazer.


Sinto um pecado bem dado sem fim,
que é não ter pecado
Porque pecado não reina em mim.
Sinto um pecado bem dado sem fim,
que é não ter prazer,
pois prazer reina em mim
toda vez que me comem sem fim.

Tráfico poético

 Estava andando na rua na moral, até que veio um policial...
-Para! Para! Para!
- Koe senhor, tenho nada não. Aliá, eu sou trabalhador
-Trabalhador? Com essa cara de marginal?
-Quem vê cara não vê coração. E na boa, eu sou sim, marginal.
- O que?
- Sim senhor, é isso que você ouviu. Trafico meu cotidiano, e sou marginalizado independente de. Mas aí, estou sempre mantendo meu proceder.

O caras não entende, já chegam na agressão.
Os caros não entendem, e me ofendem sem pedi nem perdão.

Sou traficante sim, senhor!
Sou traficante com amor.
Sou traficante sim, doutor!
Sou traficante e poetizo o que você me tirou.

t r a f i c a n t e
m a r g i n a l
Resisto tudo aqui, na rua e no seu social.

Trafico informações
Trafico emoções
Trafico desilusões
Ou melhor,
Trafico o que há em meu espaço.

Marginal sofrido, vendendo maconha, coca e crack vencido.
O mesmo trafica por dinheiro, por poder, pra vencer...
O mesmo trafica e o consumidor compra.
Consumindo por emoção da viajem, da adrenalina.
O mesmo sofre, o mesmo quer algo que não pode ter, ser, crer...
Ilusão
Ilusão
É
ilusão pensar que o que ele faz não tem emoção.
Tem muito mais do que isso, e também, insatisfação.
Tem choro, tem dor e tem sofrimento
Tem festa, putaria e arrependimento.
É o que tem pra hoje
É o que tem pra hoje
É o que tem pra eles
Mas aí, eu quero muito mais do que isso.
Eu quero tudo, e não vou me dar por vencido.
Sou traficante também,
mas faço das palavras uma arma melhor que o fuzil que meu irmão carrega.
Sou traficante também,
e faço das palavras uma arma melhor que a pistola que eles têm.
Minha profissão é a rua, é a casa do vizinho, é o meu sentido vivido.
Minha profissão é passar a mensagem,
é poetizar viajem,
e poetizando,
poder melhorar a nossa passagem.

Sou marginal, e sou marginalizado por eles.
Vendo poesia, que é consumido por eles.
Vendo minhas ideias para quem quiser consumir.
Não é muita coisa, mas faz meu irmão agir.
Não vendo maconha, muito menos coca;
Vendo poesia e o que está em nossa volta..


Comigo, meu povo vive!
Comigo, meu povo resiste
Comigo, meu povo reage

Comigo, meu povo emergi

Calmaria de segunda...

Tudo calmo,
menos meu coração que foi o seu alvo.

Aqui dentro, minha alma grita:
Porra! Vai lá viver a vida.

Meu coração não reage, este só arde

....

....

....

Haja pontinhos para expressar minhas vontades,
que
por
medo,
receio,
e preocupação, 
acabaram se construindo em saudades.

Em meu peito jaz a felicidade.

30 de setembro de 2013

Tum, Tum, tá!

Preto, preta, preta, preto... Negra, negro, negro, negra... Neguinha, neguinho, neguinho, neguinha... Seu preto, sua preta, sua preta, seu preto... Escuro, marrom da cor do barro e da terra Escuro, marrom da cor do barro e da terra. Minha mão se arde pelo abate ao atabaque, e a cada batida é um intenso alarme.
Tum, Tum, tá! Tum, Tum, tá! Tum, Tum, tá!
O ritmo é meu guia, nele é onde eu me guio pelo orixá. O ritmo é meu guia, nele é onde eu guio meu pontuar . Negas, negos e quem estiverem... Cantando, dançando, comendo, bebendo... Rodando ao som do atabaque, juntos sendo guiados pelo som e pela emoção 
Tum, Tum, tá! Tum, Tum, tá!
E aí, os deuses cultuam meu luar.

Tum, Tum, tá! Tum, Tum, tá!
Aí os deuses vêm chegar.
Tum, Tum, tá! Tum, Tum, tá!
Aí eles vem me amar... A cada tum, Tum, tá! Os orixás vêm me procurar, e assim me encontrar. A cada tum, Tum, tá! Os orixás vêm me procurar, e assim me agradar. Eu faço um Tum, Tum, tá! uma contemplação do orixá Meus Deuses estão vivos, e com minha batida eles vão me ajudar.

A junção das minhas poesias, escrita e pintada.

um insulto ao poeta
uma merda 
sem
vírgula
nem métrica
de
rima 
certa

esquizofrênica
causa
um certo
problema
numa mente
em
cena


abusada
quer tudo
que 
pode ser
uma poesia
mesmo
ela sendo

uma 
mera
ousadia






nua
sem nada 
em
sua rua
sem paisagem
nem 
vida
e tão pouco 
merecia
ser
lida

é imunda
e
de tão suja 
não
consegue
ver
seus
versos
sujos

andarilha
não se aquieta
em 
um
lugar
definido

é uma puta
seduz-se
por qualquer 
lápis
iniciante 
e ele a faz
gemer...
entre 
contornos
e
desenhos
de
garranchos 
repetidos
sem nenhum
tema 
definido