-Para! Para! Para!
- Koe senhor, tenho nada não. Aliá, eu sou trabalhador
-Trabalhador? Com essa cara de marginal?
-Quem vê cara não vê coração. E na boa, eu sou sim, marginal.
- O que?
- Sim senhor, é isso que você ouviu. Trafico meu cotidiano,
e sou marginalizado independente de. Mas aí, estou sempre mantendo meu proceder.
O caras não entende, já chegam na agressão.
Os caros não entendem, e me ofendem sem pedi nem perdão.
Sou traficante sim, senhor!
Sou traficante com amor.
Sou traficante sim, doutor!
Sou traficante e poetizo o que você me tirou.
t r a f i c a n t e
m a r g i n a l
Resisto tudo aqui, na rua e no seu social.
Trafico informações
Trafico emoções
Trafico desilusões
Ou melhor,
Trafico o que há em meu espaço.
Marginal sofrido, vendendo maconha, coca e crack vencido.
O mesmo trafica por dinheiro, por poder, pra vencer...
O mesmo trafica e o consumidor compra.
Consumindo por emoção da viajem, da adrenalina.
O mesmo sofre, o mesmo quer algo que não pode ter, ser,
crer...
Ilusão
Ilusão
É
ilusão pensar que o que ele faz não tem emoção.
Tem muito mais do que isso, e também, insatisfação.
Tem choro, tem dor e tem sofrimento
Tem festa, putaria e arrependimento.
É o que tem pra hoje
É o que tem pra hoje
É o que tem pra eles
Mas aí, eu quero muito mais do que isso.
Eu quero tudo, e não vou me dar por vencido.
Sou traficante também,
mas faço das palavras uma arma melhor que o fuzil que meu
irmão carrega.
Sou traficante também,
e faço das palavras uma arma melhor que a pistola que eles têm.
Minha profissão é a rua, é a casa do vizinho, é o meu
sentido vivido.
Minha profissão é passar a mensagem,
é poetizar viajem,
e poetizando,
poder melhorar a nossa passagem.
Sou marginal, e sou marginalizado por eles.
Vendo poesia, que é consumido por eles.
Vendo minhas ideias para quem quiser consumir.
Não é muita coisa, mas faz meu irmão agir.
Não vendo maconha, muito menos coca;
Vendo poesia e o que está em nossa volta..
Comigo, meu povo vive!
Comigo, meu povo resiste
Comigo, meu povo reage
Comigo, meu povo emergi
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