15 de dezembro de 2013


cadê você para tirar meu cobertor
descobrindo-me todo e me dando seu amor
cadê você para rir de minhas bobeiras
piadas antigas, que alegrava até segunda-feira
cadê você para me dar seu giz
e eu assim desenhar nosso amor em paris
cadê você minha leonina mandona

que eras minha dona, e às vezes chorona

se tu fostes embora...

se tu fostes embora
me leve contigo.
ponha-me em tua mala
e faça dela o meu abrigo.
se lá não tiveres espaço
eu me encaixo, eu não ligo.
pois só quero estar com você
seja em que lugar for
mas que seja
contigo.


3 de dezembro de 2013

Buceta

Poesia.
Algo que desperta ousadia.
Órgão da paixão.
Canal de sedução.
Buceta, bucetuda, bucetinha.
Buceta, bucetona, bucetalinda.
Guerra, amor, fervor.
Paz, desamor, flor.
Formas, cores, odores.
Caminhos, reprodução, amores.
Uma buceta é vulgar dependendo do lugar que está.
Uma buceta é o lar daquilo que o faz amadentrar.
Buceta, caminho da perdição.
Buceta, estrada da salvação.
Buceta é um pecado pecaminoso.
Você peca buscando um orgasmo honroso.
buceta é diverso, certo?
Buceta é livre, correto?
Como diz o proceder: “Buceta é o poder”.
Vaginamor, vulva do prazer.
Grandes lábios falando desejo, de ser-ter.
Lampejo, seu clitóris és um poema.
Sem métrica nem trena, já rima à cena, de amor. 
Ponto G, ponto h, ponto i, ponto j, ponto abecetado.
Vaginamor.

você diz que meu cabelo é ruim

pare! fecha a boca
você não sabe de nada
enquanto diz que meu cabelo é ruim
esquece de cuidar da sua vida quebrada

não tenho saco para aturar você
não tenho não, não mais, não mais...
paciência me falta para te entender
e seu preconceito ainda não está em jaz

você diz que meu cabelo é ruim
mas ruim ele não pode ser
ruim é todo seu racismo
enraizado dentro de você

meu cabelo é crespo
black, punk, duro
e incomoda muita gente

meu cabelo é crespo
black, solto, seco
e tem uma beleza que nem todo mundo entende

ando com ele solto, com gosto
ando com ele preso, com arrojo
ando com ele andando
ando com ele sambando

pensamentos #1

nossa!
acabei de saber
que sou muito
sensível

ouvi duas coisas
que me
deixaram muito fudido

-eu sou frágil
-eu não tenho mais jeito

fico mal
como outrora
pensando sobre
minha vida
e dizendo:
-o que será de mim agora?

que vida
é essa
que
te machuca
querendo
ser certa?

que dor
é essa
que faz
da vida
não (ter) (ser) . (cor-reta)?

antes 
era clarão
e felicidade
agora
sou
breu
e mero alarde

tenho tudo
que posso ser
mas
tenho tudo
que me impede
de ser,
vida.

quero um amor livre


Quero um amor livre para amar
livre de estado, cidade, localidade
e já estando, poder amar em qualquer lugar.
quero um amor livre para desejar
na rua, na cama, no sofá
e já desejando, poder gozar sem remediar.
quero um amor livre para todos
quero uma amor livre sem estorvo.
livrai-nos do amor bandido
livrai-nos do amor fingido
livrai-nos de tudo que camufla o amor
fazemos amar por querermos amar, livre

19 de novembro de 2013

distância


Sua localização 
me 
esfria

Essa ausência 
de pele 
faz-me 
um
inverno 

Nem bebida
funciona mais
e logo 
me
perco
do
certo

14 de novembro de 2013

cansei...

cansei
de poetizar 
sobre o amor
agora
eu quero
que se foda

vou poetizar
sobre ousadia
e fazer
de minha poesia
uma intensa 
putaria.





12 de novembro de 2013

mais valia

 hoje eu acordei pra vida

quero beber sem mais valia

vou sair desse mato

e vagar sem meu fardo

 

são Jorge me deu poder

disse para eu sair daqui, e ser

ele é o dono de tudo

e me deu carta branca, agora eu tenho o mundo

 

vou andar por aí, vagar..

vou pegar quem eu quiser

vou ter o que vier

e beber com uma mulher

 

quero a rua, a ousadia, crua

quero a vida, terra, sua

quero a bondade, a maldade, feroz

quero trepar, gozar, algoz 

Meu vício é sambar em você

Como eu já tinha dito: meu vício é sambar em você.

Sou um menino que pouco dança,

Mas o pouco que dança,

Já compõe seu orgasmo na cama.

Sou um menino tarado,

Fico sempre excitado quando estou de seu lado.

Na minha cama fazemos o nosso carnaval,

Com sal de suor, e você rebolando em meu pau.

Nossa cama pega fogo, é oco.

O vizinho se assusta - bate na parede.

Chato! Maldita cama colada na parede do quarto.

Em nosso quarto fazemos a receita:

Tesão, liberdade, e eu afogando à buceta.

Ali fazemos nossa putaria,

Remexendo os nossos corpos

E gozando em ousadia.

Naquele espaço se toca de tudo:

-bronha;

-siririca;

-pagode;

-e a buceta que eu chupo.

Nossa foda é descaralhada,

E você sempre me pede para eu te meter na marra.

Tu fazes cara de safada e pede mais,

Berra comigo quando eu não lhe traço atrás.

Tu ficas puta quando a camisinha estoura,

E diz: Caralho! Não era para acontecer agora.

Tu ficas rouca quando já na minha pika tu gritas,

Te comendo gostoso, e sambando na marmita.

Seu cuzinho fala comigo,

Pisca, pisca, pisca....

Seu boquete não cede ao lampejo do medo,

Sua boca é o aconchego do desejo,

Sua mão me toca e tira-me o gozo,

Sua buceta grita e deixa-me muito louco.

Sambamos na cama, escola de samba,

Fazendo um partido alto de seus orifícios.

Sambamos em trama, somos bambas,


Amando gostoso num samba fudido.

8 de novembro de 2013

Pra tirar nota dez na escola da vida.

Tenho uma ideia que foi feita na cozinha
Cansei de falar abobrinha.
A cortei bem picadinha 
Joguei na panela de alumínio
acrescentei dendê e manteiga
joguei agua e cozinhei
depois dela prontinha
taquei nela agua e farinha
O pirão já tava pronto
enchi a boca e o estomago
A cabeça melhorou
•, pensei naquilo que nem sonhou
Imagino o esforço
do homem que vive morto
Trabalha feito doido
Pra botar o pão na mesa
Qual tempo tem
pra pensar sua opinião
se conduz pela mídia
que o seduz
com as pernas da cerveja
Loira gelada, futebol e samba
em cima da mesa.
No seu peito ele leva a fé
No patuá de quem não se faz qualquer
Ali sozinho ele pensa em desmedido
Pensando em outrora quando era bem servido
No colo da mãe, em cima da barriga da tia.
No afago do pai, na comida bendita.
O tempo passou e ele corta o tempo
Fazendo daquele momento sua comida a tempo
Pensa em muitas coisas
Pensa em todas loucas
Ele é sozinho, pobre e solitário.
Ele é bom moço, trabalhado, e pra eles um otário.
Preocupa-se com o que comer
Diante uma fome que lhe dar prazer
Seu botão da camisa o traiu
Caiu, e faltou uma linha viril.
Ali, nada dá certo pra ele.
Ali, falta muito mais do que um bocejo.
Na Tv ele vê o que faz sonhar
Carro, moto, mulher num só lugar.
Rever as notícias do dia a dia
Com o papai Noel trazendo a serventia
Fica feliz e logo entristece
Pobre amigo, não pode ter o que merece.
A mídia o trai e alimenta de ilusão
E ele sofrido, perde sua razão.
Começa a cheirar e beber a esmo
Começa a roubar e matar sem ser medo
Mais uma vítima desse mundo cão
Mais uma vítima, vítima dessa compaixão.
Sem oportunidade, afago e vontade ele se foi.
Sem portas, sorte e verdade ele não foi...
Não foi um homem pobre, mas vivo
Pobre mas servido
Servido para o bem
Servido para si
Servido para o mundo
Servido subversivo




Facebook ( Tiago Dias) & Facebook (Giba Santos de Souza)

errati

em dó menor 
só é quando estou contigo
pois em ti menina doce
eu componho em teu abrigo.

sou errante por ser
tu és errante por merecer
errantes somos desde o nascer
então, por favor! dei-me seu prazer.

não ligo se me queres como certo
não lhe peço um recado correto
pois só quero tu
a ti, e mais ninguém
pois só quero a vida
e a ti, que me faz tão bem.

Ir

Não me leve mal meu bem
Se você quiser ir, pode partir
E eu vou olhar pra você
Vagando, me olhando, ir...

Me leve mal meu bem
Tu sabes que ninguém é de ninguém
O tempo corre como um ventilador
Ao vento, fatiando o ar com amor

Mas se você voltar
Cê você voltar
Eu não ligarei
Não ligareiamar
Pois sei que fiz muito bem pra ti
Pois sei que fiz tudo sem mentir
Pois sei que fiz fazendo
Pois sei que fiz querendo

Quando partiste deixaste a porta aberta
E na certa, era uma semente para voltar
Mas eu não ligo, vou por aí amar
E encontrar outro alguém também
Que fará a semente não germinar

Me leve bem se você for bem também
Me leve mal se você for tipo um sal
Porém não pense, não pense não
Não pense que terás razão

Não pense que eu vou ficar a lhe esperar
Pois meu bem, o mundo és um bendito lugar
O mundo é uma orgia de amor
Onde temos vários amores, louvor
O mundo é uma orgia de partir
Onde temos várias dores, ir

3 de novembro de 2013

ah, sei lá!

ah, sei lá!
eu não ligo mais pra nada.
vou 
fumar um cigarro
e tentar 
juntar
minha parte quebrada.


vou tentar 
pôr
repor
e se não consegui
me afogarei
num copo de cachaça.

sei que amanhã acordarei de ressaca
 
nadando nesta desgraça
mas
foi o que sobrou pra mim
esse
resto de nada.

tintas


andavam
 com uns galões cheios de tintas
   acabaram tropeçando 
          e derramando
                  suas cores na vida
                                mas não eram
                                       meras cores
                                           eram cores de tintas
                                                que pintavam vidas
                                                      não eram meras tintas
                                                                      
 eram tinhas
                                                                               de cores
                                                                                    que pintavam
                                                                                                  em
                                                                                                      poesia.

25 de outubro de 2013

Minha crioula nagô


Menina Crioula - Jorge Ben

Deixa eu cuidar de você
Minha preta pretinha
Minha princesa nagô

Crioula!
Vem cá!
Se tu confiou no seu nego
Com você que eu quero estar

Vamos falar baixinho
Para os invejosos não ouvir
Venha cá pro seu ninho
Que tá quentinho, tá quentinho...

Preta
Pretinha
Minha princesa nagô

Preta
Pretinha
Minha menina, meu amor

Vem que hoje eu estou preparado
Para te dar carinho, mansinho, e também uns amassos
Venha cá, venha cá, venha cá
Oh, minha princesa pretinha
Vêm! Que hoje eu vou te desejar

Menina
Moça
Crioula de pele escura, pele es – cura

Menina
Moça
Crioula de pele doce, doce, mais do que um do - cê

À la tih

Esperei-te no bar desejando você ligar.
Você não ligou, mas logo veio me encontrar.
Tomava um licor quando você chegou ali,
de sainha tão curtinha enquanto eu desejava te despir.
Você foi sentando e eu logo te olhando,
desejava-a para mim, arrancando sua calcinha, en - fim.
Entre umas bebidas e outras você aceitou o meu recado,
e sem pudor nem rancor fomos cultuar o Deus tarado.
Boca, pele, e a mão na coxa
Desejos, suspiros, e uma voz bem rouca
Sussurros, murros, e um lençol amassado
Meu membro veemente erguido, e você ali de quatro
Sua voz não se ouvia, mas meu membro a sentia.
Doce, suave, e com dente
Babando, chupando-o, e me deixando contente.
Naquele momento eu não sabia mais de nada,
só queria você cultuando a-na minha vara.
Sentindo a mesma m i l i m e t r i c a m e n t e
Vagando-me, sentando, e saciando a sua tara.
Para, para, para!
Não ouvi de você ali.
Mete, mete, me - ter
eu ouvia teus berros e metia à la tih.

19 de outubro de 2013

É axé, é axé, a x é

Moro com um cordão de Ewê lará
Me dado por um chefe babalorixá
E nele rege um poder
Encantando-me, me encantando, e encantado
Fazendo-me a transe musical do Alagbê

Ayrà, ligue-me com o oxalá
E faça sua espada cravar a paz neste lugar
Aqui, o mundo precisa de atenção oiá
Por isso eu saldo ÈPA BÀBÁ para vir acalmar

Na mistura do amor
Os orixás veem com clamor
Dançando, encantando, situando...
Falando, expressando, manifestando...

Na casa da colina
É onde eu faço a minha guia
Vejo os negos cantando
E as negas girando
É axé, é axé, a x é

Ritmo bom, ritmo de fé
Ritmo do canto do oxalá de fé
Terra batida e barulho de moça
Povo em transe e a voz ficando rouca
Do atabaque tiraram o batá
E o nego sambando mostrou seu patuá
Deixa cair, deixa cair, deixa ca - ir
O painho veio, louvando aquele lugar

E todo mundo chorou vendo aquele orixá

18 de outubro de 2013

Meu corpo dança


Meu
Nosso
Vosso
corpo dança.
E de tão ousado, ele se abusa e depois cansa.
Gordo
Magro
Mais
ou
menos.
Meu corpo é um armário
onde
eu guardo meu momento.
Guardo minhas histórias
que
vivi na vida.
Guardo minhas histórias
que
eu consumir
sem – com garantia.

Dizem que meu corpo está gordo
e
e eu tenho que parar de comer.
Dizem que meu corpo está magro
e
e eu tenho que retomar a comer.

Dizem
Dizem
Dizem

Quem tem boca fala o quer
Quem tem boca come o que quiser

Dizem
tanto
que esquecem de dizer - entender que o corpo não é seu,
então
eu insulto-os
vivendo feliz com esse corpo que é só meu.


17 de outubro de 2013

Palavrão

Nome feio
Acinesia 
Pouca vergonha
Pornografia
E
em si,
independente de quais sejam, és uma puta ousadia.

Porra
Caralho
Buceta
e
piru.
Se tu não gosta de palavrão,
então
vai tomar no seu cu.

Desculpa se eu lhe ofendi
D
e
s
culpAÍ

O palavrão cabe na poesia
A poesia cabe no palavrão
Pra que limitar os mesmos
Faça deles uma mera opção

Segundo o dicionário
o
palavrão é um termo desnecessário.
Tão desnecessário
quanto
a
moralidade que se encontra trancafiado em seu armário.


Levante o rabo da cadeira
e
veja um mundo atrás de seu computador.

O palavrão está aqui
O palavrão está ali
O palavrão encontra-se onde o menino tem fome
O palavrão encontra-se no favorecimento político aos montes
O palavrão encontra-se na falta do giz
O palavrão encontra-se na exclusão de nossa raiz

Viver por viver não basta viver,
e mesmo se eu viver por viver,
eu já teria que viver consumindo
um xingamento sem eu querer.
Já nascemos diante um xingamento
Já nascemos de um palavrão desde nosso nascimento.

Como o mesmo se torna desnecessário
que se encaixa perfeitamente em um momento
que eu me sinto
desamado, desarmado, diante desse fardo.

Caralho!

Xingar é ofensa ?

Caralho!

Ofensa é viver sem buscar prazer.

Caralho!

Xingar é ofensa?

Caralho!

Ofensa é viver sem pecar por querer

Caralho!

Xingar é ofensa?

Caralho!

Ofensa é não trepar porque seu Deus não quer te fazer por merecer.

Caralho!

Afinal, xingar é o que?
Parei! Prefiro nem entender...
Xingando eu desço do salto e faço meu espetáculo
Xingando eu pulo no gogó do outro, e tiro-me desse fardo
Xingando eu bato no agito, e maltrato o meu acaso
Xingando eu tiro os meus diabos, quando eu bato meu dedinho na quina do armário.