21 de setembro de 2013

No meu silêncio

Despertei hoje com um sono de dormi,
fiquei a madrugada toda
pensando mais sobre mim.
Sobre minha vida
sobre meus anseios
sobre esses casos que não
nos tiram dos devaneios.
Fico pensando sobre minhas
frustrações e desilusão
do dia a dia.
Fico pensando sobre essa vida
que, aos poucos, me mata a dada dia.
Vivo comigo
e comigo perco-me na minha
própria solidão.
Vivo comigo
e meu silêncio, nem sempre,
me trás uma razão.
- O silêncio não é mais do silêncio. O silêncio traiu o silêncio. Por ventura ele evoluiu para outros... Agora ele é levado, destemido, fala aos quatro cantos de meu ouvido. Sozinho ele se vende, sozinho ele toma iniciativa. E enquanto meu coração se paralisa, ele se atira, e diz mais sobre mim.



Quando eu nasci...

Quando eu nasci, disseram que eu seria feliz.
Para isso me deram uma casa
Uma escola
Uma instituição
E um deus.

Depois de nascer, eu vi que teria problemas, e tive:
Dentro de minha casa
Na minha escola
Com minha instituição
E com meu deus.

Agora eu sou um menino morto.
Pálido, flácido, abatido...
Morto para a vida que me deram ao meu nascimento
Morto para a vida que me deram sem meu entendimento
Eles foras sujos
Foram mudos
Foram ágeis
E me deram por imposição.
Deram-me, e ainda dizem que tinham uma razão

Agora eu não corro da minha vida,
E vivo tendo problemas...
Mas se a vida me fode, eu não corro mais
Agora eu pego ela e transo.
Se os problemas vêm, Eu seduzo-os e transo com os mesmos...
E por insulto, fodo com eles também.

Não tenho medo
Não tenho pressa
Vou andando
Guiando-me
Vou vivendo
Alimentando-me
E fazendo da vida o meu prazer de momento,
Trepando com meus problemas
nesse tempo.

18 de setembro de 2013

Meu corpo é um parque

Descobrir que, eu não mais,
me tinha
Descobrir que, eu não mais,
me servia
Descobrir que, eu não mais,
comandava o meu próprio
corpo
Ouvir do senhor
que meu corpo não
era meu,
agora,
meu corpo
é de Deus.
Não entendi...
Não entendi...
Não consumi...
Se meu corpo é de Deus,
o nosso senhor,
então ele vai querer
que eu brinque
com
meu
corpo
clamando
um
louvor.
Assim,
eu retenho
as palavras amigas
e brinco com meu corpo
sem dosar das  medidas
Meu corpo é meu!
Ouviste o recado?
Meu corpo é seu!
Ouviste o tarado?
Meu corpo é um parque
onde
eu posso pagar
 pra brincar.
Onde
eu posso brincar
sem pagar.
Onde
eu posso
vagar
sentar
cavalgar
e
desejar-me
sem
parar
Quando eu sinto vontade
eu brinco comigo,
brinco consigo,
e brinco com todos os meus amigo.
Não há ninguém que me faça
crer em algo que eu não possa ver.
O brinquedo é meu,
então eu faço por merecer,
e
me ter
para sempre poder
brincar
 com meu corpo
tirar dele
um 
pleno
prazer.

Faca

nasci pelo impulso de um caso
e agora, cada acaso tem sido um grande caso
já vivendo aprendi recolher o meu saco
para assim, saber aprimorar o meu faro

sou um jovem suburbano e abusado
que nunca se contenta com o primeiro trago
quero sempre mais, e que a vida nunca me negue
e que o tesão daquela trepada, mais cedo se repete

quero ser rey de mim mesmo
e sugar todos os seus desejos
e por pecado, pecar...
trepando com quem eu desejar

faço-me da vida uma faca servida
que corta, amola e esfola sua vida
(por ousadia)
Me sujo num mundo imundo
e não limpo-me, e sim, insulto-o

17 de setembro de 2013

SOLIDÃO DE MENINA


A GAITA ELA TOCAVA
PARA ACALMAR OS SEUS DIAS
POR AÍ ELA ANDAVA
SEM NINGUÉM
QUE LHE CABIA

ELA MIMOSA
FORMOSA
COMO UMA MULHER
MAS ERA MENINA
E AMAVA
QUEM
ELA
QUISER

A SOLIDÃO DA MENINA
ANDAVA AOS PRANTOS
POIS SOZINHA ELA VAGAVA
REMOENDO OS CANTOS

(...)

num bar qualquer no meio da vida 
eu lá estarei pra curar minhas feridas 

(...)

Se eu fosse...


Se eu fosse um piano,
você arrastaria seus dedos
e tocaria suas notas
em mim.
Tocaria, me tocaria...
E me faria gemer
cantando um singelo
Vivaldi
sem fim.
Se eu fosse um livro velho,
você me contemplaria
com sua clausura e mansidão
de beleza,
depois me pegaria, e por mania,
 me cheiraria sentindo todo meu
 odor de nobreza.
Se eu fosse Clarice,
você me lia,
e não me colocaria
numa prateleira empoeiradas
entre seus livros em
demasia.
Se eu fosse o Jorge Ben,
talvez você me ouvia,
e não
me renegaria
atenção
durante
todos  esses dias.
Se eu fosse uma marmita,
talvez você me comeria,
e enfiaria seus garfos
imundos em mim
sem demasia,
amaciando-me minha carne
dura
e
consumindo-me em
plena
loucura.
Se eu fosse Deus,
você me endeusava
e me falaria todos
os seus pecados
sem me deixar
de lado,
e assim eu
perdoava-te.
Você pegaria seus bens
e investiria na minha
instituição,
sem desdém.
Você me adoraria
em todos os cantos
e clamaria somente
o meu
nome.