17 de setembro de 2013

Se eu fosse...


Se eu fosse um piano,
você arrastaria seus dedos
e tocaria suas notas
em mim.
Tocaria, me tocaria...
E me faria gemer
cantando um singelo
Vivaldi
sem fim.
Se eu fosse um livro velho,
você me contemplaria
com sua clausura e mansidão
de beleza,
depois me pegaria, e por mania,
 me cheiraria sentindo todo meu
 odor de nobreza.
Se eu fosse Clarice,
você me lia,
e não me colocaria
numa prateleira empoeiradas
entre seus livros em
demasia.
Se eu fosse o Jorge Ben,
talvez você me ouvia,
e não
me renegaria
atenção
durante
todos  esses dias.
Se eu fosse uma marmita,
talvez você me comeria,
e enfiaria seus garfos
imundos em mim
sem demasia,
amaciando-me minha carne
dura
e
consumindo-me em
plena
loucura.
Se eu fosse Deus,
você me endeusava
e me falaria todos
os seus pecados
sem me deixar
de lado,
e assim eu
perdoava-te.
Você pegaria seus bens
e investiria na minha
instituição,
sem desdém.
Você me adoraria
em todos os cantos
e clamaria somente
o meu
nome.

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