Tenho uma ideia que foi feita na cozinha
Cansei de falar abobrinha.
A cortei bem picadinha
Joguei na panela de alumínio
acrescentei dendê e manteiga
joguei agua e cozinhei
depois dela prontinha
taquei nela agua e farinha
O pirão já tava pronto
enchi a boca e o estomago
A cabeça melhorou
•, pensei naquilo que nem sonhou
Imagino o esforço
do homem que vive morto
Trabalha feito doido
Pra botar o pão na mesa
Qual tempo tem
pra pensar sua opinião
se conduz pela mídia
que o seduz
com as pernas da cerveja
Loira gelada, futebol e samba
em cima da mesa.
No seu peito ele leva a fé
No patuá de quem não se faz qualquer
Ali sozinho ele pensa em desmedido
Pensando em outrora quando era bem servido
No colo da mãe, em cima da barriga da tia.
No afago do pai, na comida bendita.
O tempo passou e ele corta o tempo
Fazendo daquele momento sua comida a tempo
Pensa em muitas coisas
Pensa em todas loucas
Ele é sozinho, pobre e solitário.
Ele é bom moço, trabalhado, e pra eles um otário.
Preocupa-se com o que comer
Diante uma fome que lhe dar prazer
Seu botão da camisa o traiu
Caiu, e faltou uma linha viril.
Ali, nada dá certo pra ele.
Ali, falta muito mais do que um bocejo.
Na Tv ele vê o que faz sonhar
Carro, moto, mulher num só lugar.
Rever as notícias do dia a dia
Com o papai Noel trazendo a serventia
Fica feliz e logo entristece
Pobre amigo, não pode ter o que merece.
A mídia o trai e alimenta de ilusão
E ele sofrido, perde sua razão.
Começa a cheirar e beber a esmo
Começa a roubar e matar sem ser medo
Mais uma vítima desse mundo cão
Mais uma vítima, vítima dessa compaixão.
Sem oportunidade, afago e vontade ele se foi.
Sem portas, sorte e verdade ele não foi...
Não foi um homem pobre, mas vivo
Pobre mas servido
Servido para o bem
Servido para si
Servido para o mundo
Servido subversivo
Facebook ( Tiago Dias) & Facebook (Giba Santos de Souza)
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